Fogo e clima
Quanto carbono libertam os incêndios rurais?
Milhares de milhões de toneladas entram na atmosfera todos os anos através de incêndios na vegetação. Compreender o seu impacto no clima exige olhar para o que arde e para o que volta a crescer.

Os incêndios devolvem à atmosfera parte do carbono armazenado nas árvores, nas plantas e nos solos. À escala mundial, as quantidades são enormes. A quinta versão da Global Fire Emissions Database estima que os incêndios na paisagem libertaram, em média, 3,4 mil milhões de toneladas de carbono por ano entre 2002 e 2022.
Este valor inclui incêndios em florestas, pastagens e outra vegetação, incluindo queimas agrícolas, pelo que o seu âmbito é mais amplo do que apenas os incêndios florestais não controlados. Leia o estudo da Global Fire Emissions Database.
O valor mede o carbono libertado durante a combustão. A quantidade que permanece na atmosfera a mais longo prazo também depende da recuperação da paisagem afetada.
Carbono e dióxido de carbono são medidas diferentes
O dióxido de carbono, ou CO₂, contém carbono combinado com oxigénio. Uma tonelada de carbono forma aproximadamente 3,67 toneladas de CO₂ quando é totalmente convertida nesse gás. O fumo dos incêndios contém carbono em várias formas, incluindo CO₂ e metano. Ao longo deste artigo, os valores das emissões são expressos em toneladas de carbono.
Quanto pode libertar uma única época de incêndios?
É mais fácil compreender a dimensão através de épocas de incêndios específicas. Os investigadores estimaram que os incêndios rurais do Canadá libertaram 647 milhões de toneladas de carbono entre maio e setembro de 2023, com um intervalo estimado de 570–727 milhões de toneladas. Em cinco meses, esses incêndios libertaram carbono numa escala comparável às emissões anuais de combustíveis fósseis de algumas das maiores economias mundiais. Leia o estudo publicado na Nature.
A Europa também tem vivido épocas excecionais. Em 2025, as emissões dos incêndios rurais europeus atingiram o nível anual mais elevado da série do Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, iniciada em 2003. Espanha contribuiu com cerca de metade do total europeu. Na Europa, as emissões ficaram próximas da média em todos os meses exceto agosto, mostrando como um curto período de combustão intensa pode dominar um ano inteiro. Consulte a avaliação dos incêndios rurais de 2025 do Copernicus.
A importância do que arde
Estes totais dependem muito do que as chamas consomem. Um hectare de pastagem seca e um hectare de floresta com solos profundos e ricos em carbono contêm quantidades de combustível muito diferentes. A proporção desse material que efetivamente arde também varia. Contar hectares, por si só, não descreve por completo o impacto de um incêndio no carbono.
A época de incêndios de março de 2024 a fevereiro de 2025 ilustra esta diferença. O relatório State of Wildfires concluiu que:
| Medida mundial | Variação face à média histórica do relatório |
|---|---|
| Área ardida | 9% inferior |
| Carbono libertado | 9% superior |
Os incêndios com emissões elevadas na América do Sul e no Canadá contribuíram para este contraste: ardeu menos área à escala mundial, mas foi libertado mais carbono.
Como estimam os cientistas as emissões?
Medir essas emissões exige mais do que fotografar uma coluna de fumo. Os cientistas combinam observações de satélite com informação sobre a vegetação e a combustão. O Copernicus, por exemplo, mede o calor irradiado pelos incêndios ativos, estima a quantidade de material consumido e utiliza fatores obtidos em estudos de campo e de laboratório para calcular as emissões. Veja como o Copernicus estima as emissões dos incêndios.
Os resultados melhoram à medida que melhoram as observações e os modelos. A estimativa anual de 3,4 mil milhões de toneladas da quinta versão da Global Fire Emissions Database foi 65% superior à estimativa da versão anterior para o mesmo período. Esta revisão reflete alterações nos dados e nos métodos, incluindo uma melhor contabilização da área ardida e dos combustíveis. Não significa que as emissões reais tenham aumentado subitamente 65%. Leia o artigo científico sobre a GFED5.
O que acontece depois do incêndio?
As plantas em crescimento absorvem CO₂ da atmosfera e armazenam o seu carbono. Quando a vegetação regressa após um incêndio, pode captar parte do carbono libertado. A velocidade e a extensão dessa recuperação dependem do ecossistema, dos danos e das condições durante a regeneração.
A recuperação pode ser lenta. Ao abordar os incêndios severos de 2014 nos Territórios do Noroeste, no Canadá, um cientista da NASA estimou que repor as reservas de carbono perdidas demoraria 75–100 anos. Essa estimativa aplica-se àquelas florestas; outras paisagens recuperam a ritmos diferentes. Leia a explicação da NASA sobre incêndios e recuperação do carbono.
Se as florestas forem eliminadas permanentemente, se arder turfa ou se incêndios repetidos impedirem a recuperação da vegetação, as perdas de carbono podem persistir. É por isso que as emissões produzidas durante um incêndio e a sua contribuição duradoura para o carbono atmosférico são quantidades diferentes. Leia a explicação da Global Fire Emissions Database sobre o ciclo do carbono.
O que significa isto para a monitorização dos incêndios?
Para as organizações que gerem florestas, áreas de conservação ou infraestruturas, estas conclusões dão uma importância adicional à monitorização dos incêndios. Um incêndio destrutivo pode afetar tanto o carbono já armazenado numa paisagem como a sua capacidade de absorver carbono no futuro.
O fogo também tem um papel natural em muitos ecossistemas, pelo que a gestão deve refletir as condições ecológicas locais. Quando os incêndios ameaçam pessoas, bens ou habitats vulneráveis, a deteção mais precoce pode apoiar uma resposta mais rápida. A sua eficácia depende da verificação, dos acessos, das condições meteorológicas e dos meios disponíveis para agir.
Fontes e leituras adicionais
- Landscape fire emissions from the fifth version of the Global Fire Emissions Database (GFED5) van der Werf e colegas, Scientific Data (2025); registo da Wageningen University & Research
- Carbon emissions from the 2023 Canadian wildfires Byrne e colegas, Nature (2024)
- European State of the Climate 2025: Wildfires Copernicus Climate Change Service / ECMWF
- State of Wildfires 2024–2025 Kelley e colegas, Earth System Science Data (2025)
- CAMS global biomass burning emissions based on fire radiative power (GFAS) Copernicus Atmosphere Monitoring Service / ECMWF
- Artigo científico GFED5: métodos e comparação com o inventário anterior van der Werf e colegas, Scientific Data (2025); artigo completo via Wageningen University & Research
- Through Smoke and Fire, NASA Searches for Answers NASA Science
- Perguntas frequentes da GFED: fogo e alterações climáticas Global Fire Emissions Database
- Incêndios rurais: ecologia do fogo, emissões de carbono e recuperação NASA Science / Landsat
- Science & Tech Spotlight: Wildfire Detection Technologies US Government Accountability Office (2025)
A NuraGaze fornece software de alerta precoce de incêndios rurais e sistemas de monitorização. Estas estatísticas descrevem as regiões, os períodos e os conjuntos de dados citados; não medem as emissões evitadas por uma instalação da NuraGaze.