Florestas em números

Que países perdem mais floresta devido ao fogo?

Cinco países representam quase 90% da perda mundial de coberto arbóreo causada pelo fogo. Os números revelam a sua dimensão e a importância de compreender o que significa perda florestal.

A Rússia e o Canadá perderam as maiores áreas de coberto arbóreo devido ao fogo desde 2001. Em conjunto com os Estados Unidos, o Brasil e a Austrália, representam quase 90% da perda mundial de coberto arbóreo causada diretamente pelo fogo entre 2001 e 2025.

Ao longo desses 25 anos, os incêndios causaram a perda de aproximadamente 162 milhões de hectares de coberto arbóreo em todo o mundo. São 1,62 milhões de quilómetros quadrados. Os cinco países com maiores perdas representam a maior parte desse total, segundo a análise do World Resources Institute aos dados de satélite da Universidade de Maryland.

Os cinco países com maiores perdas

A comparação entre países

Coberto arbóreo perdido diretamente devido ao fogo

2001–2025 · totais nacionais acumulados · milhões de hectares

Perda de coberto arbóreo causada pelo fogo entre 2001 e 2025: Rússia, aproximadamente 65 milhões de hectares; Canadá, 46 milhões; Estados Unidos, 14 milhões; Brasil, 14 milhões; e Austrália, 7 milhões.
Os valores são arredondados ao milhão de hectares mais próximo. São áreas perdidas diretamente devido ao fogo, não percentagens das florestas de cada país nem de toda a área ardida.Gráfico: NuraGaze. Dados: WRI Global Forest Review / Universidade de Maryland.
Perda de coberto arbóreo causada pelo fogo, 2001–2025. Totais aproximados em milhões de hectares.
PaísMilhões de hectares
Rússia65
Canadá46
Estados Unidos14
Brasil14
Austrália7

Os Estados Unidos e o Brasil têm totais diferentes que, após arredondamento, dão o mesmo valor. Mantém-se a ordenação da fonte.

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Estes números descrevem a área perdida em cada país. Um país com florestas extensas pode registar um total elevado mesmo quando a proporção afetada é relativamente pequena. Para comparar de forma justa a pressão sobre as florestas, também precisamos de considerar quanta floresta existe em cada país e com que frequência ardem determinadas áreas.

O que mede a «perda florestal»?

O significado de «perda» também importa. Os investigadores acompanham locais onde o fogo elimina a totalidade ou a maior parte do estrato superior das árvores: as copas. As suas medições incluem florestas naturais e plantações. Um incêndio que queime pastagens, ou passe sob as árvores sem eliminar substancialmente as copas, não aparece nesta medida de perda de coberto arbóreo. As árvores abatidas e posteriormente queimadas também são excluídas da categoria de fogo, porque o abate foi a causa direta da sua remoção. Os métodos do WRI explicam estas distinções.

É fundamental ter presente que a perda de coberto arbóreo pode ser seguida de regeneração. Estes valores não significam, por isso, que cada hectare tenha deixado permanentemente de ser floresta. Medem uma perturbação importante do coberto arbóreo, sem subtrair a recuperação posterior.

Florestas diferentes, impactos diferentes

A posição da Rússia e do Canadá reflete a enorme extensão das suas florestas setentrionais, ou boreais. O fogo faz parte natural destes ecossistemas, mas as condições mais quentes, a seca e as épocas de incêndios mais longas estão a alterar a forma como ardem. A época excecional de 2023 no Canadá ilustra a dimensão: perderam-se quase 7,8 milhões de hectares de coberto arbóreo devido ao fogo, cerca de seis vezes a média anual de 2001–2022, segundo a análise dos incêndios florestais do WRI.

O Brasil apresenta um quadro diferente. As florestas tropicais húmidas têm sido historicamente protegidas pela chuva abundante e estão pouco adaptadas ao fogo. Os fogos usados nas atividades agrícolas podem escapar para as florestas circundantes, sobretudo em condições de seca. A fragmentação e a degradação florestal podem tornar essas áreas remanescentes mais vulneráveis. Assim, números semelhantes de hectares perdidos podem representar problemas ecológicos muito diferentes. A análise do WRI explora estes padrões de fogo nos trópicos.

Os Estados Unidos e a Austrália acrescentam outras paisagens a este quadro. O fogo desempenha um papel ecológico em muitas das suas florestas, enquanto os eventos severos podem ameaçar tanto os ecossistemas como as comunidades próximas. A recuperação depende da floresta em causa, da severidade do incêndio e das condições que se seguem. O Global Forest Review descreve estas diferenças.

O que mostram os dados recentes

Os dados recentes mostram por que motivo o fogo merece atenção. Em 2025, o fogo foi responsável por 42% de toda a perda mundial de coberto arbóreo. Trata-se de uma proporção do coberto arbóreo perdido num ano, não de uma afirmação de que 42% das florestas mundiais arderam. O WRI assinala também que o fumo e a bruma podem atrasar a deteção por satélite, pelo que parte da perda registada em 2025 resultou de incêndios no final de 2024.

Os países fora dos cinco primeiros podem, ainda assim, enfrentar consequências graves. Em Espanha e Portugal, cerca de 60% da perda de coberto arbóreo registada em 2025 foi causada pelo fogo. Uma classificação mundial baseada no total de hectares pode, por isso, ocultar a importância que o fogo adquiriu num país mais pequeno. Leia as conclusões do WRI sobre a Europa.

O nosso guia sobre o agravamento dos incêndios rurais explica como a área ardida, os eventos extremos, as emissões e as perdas humanas revelam, cada um, uma parte diferente da situação.

O que isto significa localmente

Para as organizações que gerem florestas, parques ou infraestruturas, as estatísticas nacionais fornecem contexto. As decisões de proteção exigem uma observação mais próxima: onde a vegetação está a secar, que áreas são difíceis de observar, que bens estão expostos e como chegaria um alerta às pessoas responsáveis pela resposta.

Câmaras, satélites e sensores terrestres podem fornecer diferentes tipos de informação. A deteção mais precoce pode ajudar as equipas a responder mais cedo, mas o seu valor depende de uma verificação fiável, de uma localização utilizável e de um processo de resposta eficaz. A monitorização deve acompanhar a gestão da vegetação e outras medidas de redução do risco de incêndio. A análise tecnológica do US Government Accountability Office descreve estas oportunidades e limitações; o nosso guia de comparação dos métodos de deteção aborda as questões práticas.

Fontes e leituras adicionais

  1. Forest Degradation: perda de coberto arbóreo causada pelo fogo, 2001–2025 World Resources Institute, Global Forest Review; atualizado em 29 de abril de 2026
  2. Global Forest Review: dados e métodos World Resources Institute, com dados de satélite da Universidade de Maryland
  3. The Latest Data Confirms: Forest Fires Are Getting Worse World Resources Institute; atualizado em 4 de agosto de 2026
  4. Tropical Rainforest Loss Slowed in 2025, but Fire is a Growing Threat to Forests Worldwide World Resources Institute, Forest Pulse; 29 de abril de 2026
  5. Science & Tech Spotlight: Wildfire Detection Technologies US Government Accountability Office; 1 de maio de 2025

Fontes consultadas em 28 de outubro de 2026. Os valores por país são rótulos arredondados transcritos do gráfico do WRI, não um conjunto de dados com precisão integral. O gráfico e a tabela usam os mesmos valores. Fontes do gráfico e notas sobre âmbito e precisão.

A NuraGaze fornece software de alerta precoce de incêndios rurais e sistemas de monitorização. Estas estatísticas públicas não medem o desempenho de qualquer produto de deteção.

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